Como perdoar alguém próximo de você? E se a mágoa for profunda?

Hoje quero compartilhar com você a pergunta que recebi na última semana: “como perdoar alguém muito próximo?”

Quando falamos sobre perdão, temos diversas variáveis envolvidas.

Quem é a pessoa, qual o contexto, o que você sente com relação a esse comportamento que o ressentiu…

São muitas questões a serem respondidas para um melhor entendimento da situação. Porém, independente de todas essas variáveis, existe uma resposta única: sim. Devemos perdoar, sempre.

Mas Felix, e se for alguém que fez um mal para alguém que amamos? Se nos magoou de forma intensa e profunda? Se teve atitudes horríveis?

O ponto chave aqui tem relação com nossos vieses cognitivos, nossas experiências e diferentes “mapas” de interpretação da realidade.

Na espiritualidade se têm a ideia de que todas as nossas vivências estão armazenadas em uma espécie de caixa de memórias… 

Todas as nossas percepções são influenciadas por essas memórias guardadas na caixa.

Não excluí a ideia de livre arbítrio, mas saber isso nos dá uma noção do porquê tendemos a certos comportamentos.

Por exemplo, uma criança que cresceu em um ambiente muito violento, sofreu diversos traumas e abusos, poderia ter uma probabilidade maior a determinados distúrbios.

Sob esse viés, de certa forma muda um pouco aquela ideia de “meritocracia”.

Crescer em um ambiente melhor, logo, teria mais facilidade para determinados comportamentos.

O fantástico Malcom Gladwell explora bem esse tema no livro “Outliers – Fora de série”, onde traz diversos dados a respeito dessas tendências. 

Voltando ao perdão… 

A pergunta que faço é: você sabe tudo que abrange a caixa de memórias que transformaram a realidade da pessoa que lhe fez o mal? 

Conhece a fundo todas as experiências que ela teve, os traumas, os ambientes que frequentou e as frustrações que a vida lhe impôs? 

E sobre você… Estudou sobre a sua personalidade, e tem ideia de como lidou com a infância?

Talvez não. Na maioria das vezes desconhecemos nossa própria história, nossos traços predominantes e tendências, quanto mais do outro.

Se você não faz ideia do que passou na vida dessa pessoa, e sente-se mal por guardar mágoa e rancor, perdoe.

Perdoar não é concordar com a atitude. 

Existe o perdão verbalizado, aquele onde outra pessoa se sente mal por ter lhe aborrecido, e o perdão silencioso, onde a pessoa é tão sem noção que nem percebe que fez algum mal.

Seja verbal ou silencioso, o perdão sempre será mais benéfico para você que para o outro.

É você quem ganha, que se sentirá aliviado e pleno, ao perdoar. Ele é interno, depende só de você. Perdoe, e seja mais leve.

Um forte abraço.


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